O mestre Manoel Xudú

janeiro 24, 2010 por
Categoria: Notícias 

O repentista Manoel Xudú Sobrinho era de Pilar-PB. Conviveu, glosou  e cantou muito com Jó Patriota, Zé de Cazuza e Manoel Filó nos pés-de-parede e mesas de bar do Pajeú pernambucano e Cariri paraibano.

Um cantador de versos fáceis, boêmio, altamente sentimental. Era exímio tocador de viola.

Certo dia, em desafio, um colega abordou:

Caro Manoel Xudu

tenho santa inspiração…

Xudu pega na deixa e diz:

Sou igualmente ao pião

saindo de uma ponteira

que quando bate no chão

chega levanta a poeira

com tanta velocidade

que muda a cor da madeira.

Bastante humilde,  considerava todo cantador maior do que ele. Numa de suas cantorias, chegaram Zé de Cazuza, o famoso Lourival Batista e Heleno Rafael. Emocionado com os colegas presentes, iniciou assim o baião:

Cantar pra Zé de Cazuza

pra Lourival, pra Heleno

é mesmo que matar cobra

com um cacete pequeno

pisar na ponta do rabo

sem se lembrar do veneno.

Certa vez, deram-lhe um mote assim:

QUEM PERDE MÃE TEM RAZÃO

DE CHORAR O QUE PERDEU.

Xudu começou:

Minha mãe que me deu papa

me deu doce, me deu bolo

mãe que me deu consolo

leite fervido e garapa

mamãe me deu um tapa

e depois se arrependeu

beijou aonde bateu

acabou a inchação

QUEM PERDE MÃE TEM RAZÃO

DE CHORAR O QUE PERDEU.

(Extraído do livro ZÉ MARCOLINO – VIDA, VERSOS, VIOLA)

De Manoel Xudu, m belíssimo Galope na beira do mar:

O mar se orgulha por ser vigoroso
Forte e gigantesco que nada lhe imita
Se ergue, se abaixa, se move se agita
Parece um dragão feroz e raivoso
É verde, azulado, sereno, espumoso
Se espalha na terra, quer subir pra o ar
Se sacode todo querendo voar
Retumba, ribomba, peneira e balança
Não sangra, não seca, não para e nem cansa
São esses os fenômenos da beira do mar.

O próprio coqueiro se sente orgulhoso
Porque nasce e cresce na beira da praia
No tronco a areia da cor de cambraia
Seu caule enrugado, nervudo e fibroso
Se o vento não sopra é silencioso
Nem sequer a fronde se ver balançar
Porém se o vento com força soprar
A fronde estremece perde toda calma
As folhas se agitam, tremem e batem palma
Pedindo silêncio na beira do mar

Não há tempestades e nem furacões
Chuvadas de pedras num bosque esquisito
Quedas coriscos ou aerólito
Tiros de granadas de obuses canhões
Juntando os ribombos de muitos trovões
Que tem pipocado na massa do ar
Cascata rugindo serra a desabar
Nuvens mareantes, tremores de terra
Estrondo de bombas, rumores de guerra
Que imite a zoada das águas do mar.

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